Setembro amarelo: redes sociais podem afetar depressão

Com o mundo cada vez mais digital e a certeza de que as redes sociais vieram para ficar, o uso destas plataformas passa a ter um papel importante no dia a dia e até mesmo nas reações dos usuários e na forma como encaram a realidade. E como fica o lado negativo disso?

Uma pesquisa realizada por pesquisadores do Sain Justine Hospital de Montreal, no Canadá, avaliou 3,8 mil jovens entre 12 e 16 anos durante quatro anos, e descobriu que o tempo de exposição às redes sociais em que há comparação social, como fotos de colegas exibindo corpos perfeitos, tem correlação com sintomas de depressão.

Outra pesquisa realizada em 2018 e publicada no Journal of Social and Clinical Psychology analisou 143 estudantes. Os jovens foram divididos em dois grupos – um com livre acesso às redes sociais, e outro com limitação de apenas 10 minutos diários. O resultado foi que o grupo com restrições apresentou redução da depressão e solidão.

A autora da pesquisa, a psicóloga Melissa G. Hunt, da Universidade da Pensilvânia, explica que, ironicamente, reduzir o tempo de exposição às redes sociais faz com que as pessoas se sintam menos sozinhas. “Quando você observa a vida de outras pessoas, particularmente no Instagram, é fácil concluir que a vida de todos é mais legal ou melhor que a sua.”, explicou em entrevista para o Medical News Today.  

Setembro amarelo: Depressão e suicídio

Neste mês de setembro, a mídia coloca em debate as doenças mentais e emocionais, e a necessidade de prevenção do suicídio, que cresce no mundo todo (houve um aumento de 60% nos últimos 45 anos segundo a OMS), especialmente entre jovens.

Na Pier, decidimos trazer estes temas tão importantes à tona para reflexão. Fique atento ao que está sentindo e fique atento também aos sinais que outras pessoas possam estar emitindo.

“As redes sociais mexem muito com a imagem e a auto aceitação. Se você tem um quadro de depressão e acha uma foto bonita, ela pode se tornar muito mais bonita por receber muitas curtidas ou muito menos bonita por não receber curtidas. Esse fator de ser bem aceito é um dos pontos da depressão.”, explica Marcella Geromel, psicóloga clínica. 

“As redes sociais também são como um holofote para todo tipo de informação. Qualquer informação colocada ali ganha um retorno muito grande, seja positivo ou negativo. Outro fator é que trabalham muito com a imagem, o que acaba criando uma falsa visão da realidade – pessoas felizes o tempo todo, que viajam o tempo todo, que comem só coisas legais, que possuem o emprego dos sonhos. E essa visão perfeita para quem já tem um quadro de depressão afeta muito”, complementa Marcella.

Essa falsa realidade é o que faz muitos jovens vislumbrarem um cotidiano perfeito e pensarem que o que veem muitas vezes em um perfil de um influenciador ou até mesmo de um amigo é melhor do que a própria vida, passando ao isolamento.

Como identificar sintomas

Marcella salienta que em caso de jovens e adolescentes o diálogo com familiares e amigos próximos pode ser a chave para a ajuda. “Nem sempre quem está passando por uma depressão vai se isolar. Há quadros em que esse sintoma não aparece, mas há sempre um comportamento que muda. É comum pessoas com depressão demonstrarem-se irritadas, mais agressivas. Nesse caso, a rede social pode ser também um alerta. Observe o que um filho, um amigo posta. As postagens podem também dar indícios”.

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